sexta-feira, 14 de julho de 2017

No Tucanobanaquistão vale a lei do Torquemada – Parte III


Também em março, um pequeno grupo de 20 pessoas pediu intervenção militar em Porto Alegre/RS. O protesto foi organizado pelo Movimento Pátria Amada e utilizava a palavra de ordem “Acorda Brasil”. Os manifestantes distribuíram panfletos, onde elencavam "algumas realizações do governo militar", com frases como "Deus salve o Brasil!”; “Deus! Pátria e família"; “Acordem irmãos e irmãs! Acorda povo"; "Intervenção Constitucional Militar Já!". Um dos oradores fez um discurso contra os partidos comunistas e a imigração de muçulmanos. [12]


O que chama a atenção nessas manifestações não é nem tanto o que se reivindica, mas a ideia obsessiva de que só através de intervenções militares, que levam às ditaduras, é que se pode fazer reformas e combater a corrupção. Porque não se lutar para fortalecer as instituições politicas para que essas reivindicações possam ser uma demanda democrática da sociedade? Afinal, porque parte crescente da sociedade brasileira quer tanto viver num Estado autoritário? Essa discussão nos levará, inevitavelmente, a enfrentarmos a mãe de todas as contradições que é se usar procedimentos democráticos, como liberdade de expressão, para pedir o fim da democracia como procedeu o Partido Nazista.

A universidade norte-americana de Vanderbilt coordena, em parceria com a Universidade de Brasília e com apoio da CAPES, a Pesquisa de Opinião Pública Latino-Americana. Entre 2012 e 2014 aferiu-se o apoio das populações latino-americanas para intervenções militares em Estados democráticos. Quase metade dos brasileiros se dizem dispostos a apoiar soluções não democráticas para “combater-se a criminalidade de colarinho branco no Poder Público”. Em 2014, 48% dos brasileiros achavam “justificável um golpe militar quando há corrupção”. [13] A cultura politica pretoriana dos brasileiros os faz desconhecer que é possível se combater a corrupção através dos procedimentos democráticos e de hábitos republicanos.

Mas, e afinal, porque tantos brasileiros não apoiam a democracia? Dito de outra forma, porque preferem governos de forças ou ditaduras, de preferência militares? O instituto chileno Latinobarômetro atestou em 2016 que 32% dos brasileiros diziam apoiar a democracia. Podemos dizer, por oposição, que os outros 68% apoiam um sistema politico não democrático, autoritário? Em 2015, também segundo o Latinobarômetro, eram 54% dos brasileiros afirmando preferirem a democracia. Também havia 42% dos brasileiros afirmando apoiar a “mão pesada contra as liberdades”. [14]

Invasão ao plenário da Câmara dos Deputados em 16/11/2016. 
Manifestantes subiram à mesa da presidência gritando palavras de ordem contra a corrupção e pedindo
“um general aqui". Eles defenderam uma intervenção militar e uma atitude ilegal e contrária à Constituição.



Estes eventos confirmam a assertiva vinda das redes sociais de que a “direita saiu do armário!”. Ela não havia desaparecido do espectro politico-ideológico apenas se resguardara (para se reorganizar) nos anos em que o Partido dos Trabalhadores esteve no poder com sua agenda a favor de políticas públicas de cunho social. As eleições de 2014 marcam o retorno da direita ao cenário político e permitem que atores políticos conservadores, defensores da ditadura militar, se assumam como tais. É o caso do deputado Jair Bolsonaro, que já era conhecido, e que passou a colecionar apoios. Na República do Tucanobanaquistão há uma convergência de agendas. Os mesmo que são favor de uma ditadura militar são os que tratam um racista, homofóbico, autoritário, defensor da tortura, como um “mito” e querem elegê-lo presidente da República. Notem que, assim como na Alemanha nazista, o procedimento democrático eleição é utilizado para que se vá gradualmente se instalando uma ditadura.

Como disse, sejam de que tipo forem ditaduras não surgem da noite para o dia. Invariavelmente, antes de um sistema politico autoritário, o Estado experimenta procedimentos democráticos definidos em uma constituição. Sociedades, como a tucanobanaquistes, fundadas em uma cultura politico pretoriana, que não experimentaram os processos revolucionários burgueses e que foram colonizadas e escravizadas por metrópoles europeias, se ressentem da experiência democrática. Formadas pela força, não acreditam em soluções pacificas para suas crises. Como desconhecem a máxima federalista, que diz que “para males republicanos, remédios republicanos”, volta e meia buscam os autoritarismos de toda sorte para resolverem seus dilemas institucionais.

Deve ter sido por isso que o ex-chefe do Estado Maior do Ministério da Defesa, general da reserva Rômulo Bini Pereira, disse, numa entrevista ao Jornal Estado de São Paulo, que uma intervenção militar poderia sim ser a saída para a crise política que envolve os três Poderes da Republica. Em um artigo ele afirmou que: “Se o clamor popular alcançar relevância, as Forças Armadas poderão ser chamadas a intervir, inclusive em defesa do Estado e das instituições”. [15]


O mundo mudou, mas as comparações politicas são bem vindas, pois vemos em países diversos o ressurgimento das ideologias totalitárias manifestas através de partidos e lideranças ultranacionalistas, de extrema direita, com perfil dos mais conservadores e autoritários, que se utilizam de procedimentos democráticos, como eleição e liberdade de expressão, para cada vez mais ocuparem espaços e ganharem adeptos para suas causas totalitárias. O melhor exemplo disso é a eleição de Donald Trump nos EUA. O modus operandis nazista tornou-se uma macabra referência para governantes e Estados ditatoriais no pós 2ª Guerra Mundial. Por onde quer se ache um poder anti-democrático, de inspiração autoritária, de preferência fascista, veremos práticas similares as que foram produzidas contra a liberdade de expressão na Alemanha nazista.

Já se disse que (SIC) “a primeira coisa que os ditadores fazem é reprimir a imprensa”, pelo menos aquela que cumpre o papel de informar e conscientizar a sociedade e que entende que o cidadão precisa saber da forma mais ampla possível do que acontece nos círculos internos no poder político e econômico. Só se preserva e se fortalece a democracia com uma imprensa verdadeiramente livre para ser, inclusive, adversária do governo. Notem que não estou me referindo aquele tipo de imprensa que de tão enfronhada nas estruturas do poder político termina determinando ações para o governo. Não estou me referindo, claro, aos meios de comunicação do Tucanobanaquistão que decidem quem deve ser alvo das investidas policiais e jurídicas e quem deve ser inocentado independente de que crime tenha cometido.

Não é a esmo que este artigo está sendo publicado exatamente num momento dos mais graves, quando um ex-presidente da República acaba de ser condenado, por um juiz de primeira instância, a quase 10 anos de cadeia. O Torquemada, digo Juiz, que proferiu a sentença se baseou em suas próprias convicções não em provas como assim se requer nos sistemas democráticos. O fato é que se não podemos, ainda, afirmar que vivemos numa ditadura, também não temos como ter certeza que vivemos numa democracia. Mas, isso é um dilema para o povo do Tucanobanaquistão.


[12] “Saudosos da Ditadura. Manifestação reúne 20 pessoas pedindo intervenção militar”. Portal Zero Hora, 13 de março de 2017. http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/politica/noticia/2017/03/manifestacao-reune-20-pessoas-pedindo-intervencao-militar-9747060.html
[13] “Apoio a golpe militar cresce no Brasil desde 2012, mostra pesquisa”. IG São Paulo, 28 de março de 2015. http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2015-03-28/apoio-a-golpe-militar-cresce-no-brasil-desde-2012-mostra-pesquisa.html
[14] No site do Instituto Latinobarômetro é possível ver todas essas informações e muitas outras acessando o relatório “O declive da democracia – Latinobarômetro 2016”. http://www.latinobarometro.org/latNewsShow.jsp
[15] “General admite intervenção militar se houver clamor das ruas: “É um caso a se pensar”. Congresso em Foco, 15 de dezembro de 2016. http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/general-admite-intervencao-militar-se-houver-%E2%80%9Cclamor-popular%E2%80%9D/

quinta-feira, 13 de julho de 2017

No Tucanobanaquistão vale a lei do Torquemada – Parte II



Estaria Sergio Moro inspirado nos métodos tirânicos de Stálin que usava a legislação ao seu dispor para perseguir e dar cabo de seus opositores? Em 1934, quando do assassinato do líder bolchevique Serguei Kirov, os acusados foram julgados e condenados a partir de uma lei (instituída por Stálin no dia da morte de Kirov) que permitia aos réus um prazo de 24 horas para se inteirarem das acusações que lhes pesavam as costas.

Em “Quem matou Kirov?” [5], Amy Knight mostra que essa lei, nada democrática, “permitia uma audiência a portas fechadas sem a assistência de um advogado de defesa e autorizava o tribunal a levar a efeito imediatamente a sentença de morte”. Eduardo Guimarães foi levado para a sede da Polícia Federal em São Paulo e obrigado a iniciar seu depoimento sem a presença de seu advogado. [6] Percebam as semelhanças, pois os sistemas políticos autoritários tomam uns aos outros por modelo.

Ancorado neste instrumento, Stálin iniciou o “grande expurgo” que o permitiu se livrar dos que de alguma forma lhe ameaçavam. Stálin estava acima e além do Estado e da sociedade, mas isso não o impediu de buscar dar ares de legalidade para os crimes que perpetrava. Parece ser isso que setores da justiça brasileira tem feito: perseguem, acossam, punem os que consideram seus adversários sempre baseados em artifícios legais, a exemplo das tais delações premiadas que sofrem solução de credibilidade na medida em que beneficiam os que aceitam denunciar alguém por suas culpas [7]. Sempre lembrando que no Tucanobanaquistão delatores, promotores e juízes baseiam suas incriminações em meras convicções, nunca em provas.

Sempre se poderá dizer que a justiça brasileira não é igual a dos sistemas totalitários da metade do século XX, que aniquilava seus adversários, mas é preciso que saibamos que em geral os Estados não democráticos instalam seus sistemas repressivos de forma gradual em processos que podem durar anos. Primeiro, se utilizam do ordenamento jurídico existente para controlar a oposição; depois fazem mudanças na Constituição para que possam cercear as liberdades democráticas e condenar os divergentes. O passo seguinte é o Estado conseguir conviver com procedimentos democráticos e entulhos autoritários. O estágio final da escalada repressiva é quando o governo resolve que seus adversários devem morrer. Será que a República do Tucanobanaquistão caminha para isso?

Eis o ato discricionário que pôs em xeque a já debilitada democracia procedural do Brasil, digo do Tucanobanaquistão. A forma como o judiciário tem lidado com a liberdade de expressão de alguns setores da imprensa, e até do próprio cidadão, faz lembrar, guardando as devidas proporções históricas, a Alemanha nazista.

Em 1933 Adolfo Hitler foi ungido chanceler (1º ministro) da Alemanha após seu Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães ter obtido, nas eleições de julho de 1932, 13,5 milhões de votos que lhe renderam 230 cadeiras no Reichstag (parlamento). Tal era a força dos nazistas que o partido da social democracia, que ficou em segundo lugar, obteve apenas 8 milhões de votos e 133 cadeiras. Hitler utilizou procedimentos democráticos para chegar ao poder e instalar sua ditadura totalitária. Claro, contou com a simpatia de mais da metade da sociedade alemã que não se interessava pelos dilemas da democracia e pedia um regime de força que tirasse a Alemanha da crise que a assolava.

Ainda em 1933, Hitler passou a eliminar elementos democráticos que lhe criavam embaraços. Assim, submeteu todos os meios de comunicação à Câmara de Radiodifusão do Ministério da Propaganda do Reich cujo chefe era Josef Goebbels que dizia: “... temos que educar os ouvintes para a aceitação de nosso ideário”. Quando a 2ª guerra começou, os alemães foram proibidos de acessar transmissões de emissoras de rádio de países inimigos. O cidadão alemão que infringisse essa norma era preso, declarado inimigo do Reich, entregue a Gestapo (polícia secreta do Estado) e podia até ser fuzilado.

Em menos de um ano, Hitler se livrou de quase todos os jornais e rádios que lhe faziam oposição. Um bom exemplo disso foi o jornal de Munique Münchener Post que entre 1920 e 1933 se opôs a ascensão do totalitarismo nazista. Os editores desse jornal não suportavam Hitler e alertavam a população para os perigos que (SIC) “o demônio de bigodinho e sua corja nazista representam para a humanidade”. O Münchener [8] teve coragem de denunciar a “solução final da questão judaica”. Pagou caro essa ousadia, pois foi extinto em 1933.  Apenas duas semanas após Hitler se tornar chanceler, o jornal foi invadido por soldados da SS nazista e totalmente destruído.

Não dá para saber se o Juiz Sergio Moro conhece os procedimentos que tolhiam as atividades da imprensa alemã que se opunha a ditadura nazista, mas as coincidências estam a mostra. A prisão do jornalista Guimarães foi uma demonstração do que se quer, e se pode, fazer com os que decidem não compor o conglomerado midiático que vem a pelos menos 50 anos se colocando a favor de um Estado não democrático.
  
Tal qual a Alemanha nazista, onde boa parte da sociedade viu com bons olhos a subida de Hitler ao poder, por ser simpática a instalação de um governo autoritário e descrer dos procedimentos democráticos, é crescente a onda brasileira em defesa de uma intervenção militar, com a consequente implantação de um regime ditatorial. Poucos dias antes da prisão do jornalista Eduardo Guimarães um grupo de militantes de extrema direita fecharam parte da via expressa “Marginal Pinheiros”, em São Paulo, pedindo o fim da corrupção e uma intervenção militar para (SIC) “acabar com a bagunça desse país”. [9]

Não por acaso, nas manifestações que pediam impeachment da presidente Dilma, em 2016, os saudosistas da ditadura militar estavam sempre presentes com sua verborragia fascista e uma ridícula pieguice nacionalista. Para exemplificar registro três manifestações dessa natureza no primeiro semestre desse ano de 2017. Uma na praia de Boa Viagem, Recife/PE, onde cerca de 50 manifestantes, vestidos de verde-e-amarelo, interromperam o trânsito para pedir intervenção militar com faixas e cartazes. [10].

 
A outra foi em Goiânia/GO, em 26/03/17, quando, a título de protestar contra a corrupção, manifestantes pediram intervenção militar, declararam apoio ao Juiz Sergio Moro, às investigações da Operação Lava Jato e à Polícia Federal. Essa manifestação pedia, ainda, a Reforma da Previdência, o fim da anistia ao “Caixa 2” e do sigilo das delações premiadas, a prisão do ex-presidente Lula e de outros petistas. [11]. Estranhamente, a manifestação foi embalada pela música “Pra não dizer que não falei das flores” de Geraldo Vandré, um símbolo das lutas contra a ditadura militar brasileira. Se é verdade que os que pedem a volta da ditadura militar são analfabetos políticos, que desconhecem nossa história recente, então é crível supor que eles não saibam interpretar a música de Vandré.


Continua...


[5] Knight, Amy. Quem matou Kirov? O maior mistério do Kremlin. Rio de Janeiro: Ed. Record, 2001.

[6] No Blog da Cidadania (http://www.blogdacidadania.com.br/2017/03/como-se-deu-minha-prisao-e-o-interrogatorio/ ) pode-se ler o relato completo de como se deu a prisão e o interrogatório de Eduardo Guimarães como no seguinte trecho: “Chegamos à sala do delegado que me interrogou. Eu já não tinha mais telefone, já não tinha mais como me comunicar. O delegado iniciou o interrogatório sem a presença de qualquer advogado”.

[7] Existe uma clara percepção no país que a delação premiada virou moeda de troca para os que são aprisionados na sede da PF em Curitiba. Pessoas envolvidas na Operação Lava Jato, detidas a mais de um ano, só conseguiriam responder as acusações em liberdade caso aceitassem delatar (com ou sem provas) inimigos, não declarados, dos membros do MPF no Estado do Paraná.

[8] Sobre o jornal Münchener Post pode-se ver o livro, Lançado pela Editora Três Estrelas, “A cozinha venenosa: um jornal contra Hitler”, de Silvia Bittencourt, que conta a história de seu enfrentamento contra o nazismo num cenário de deterioração econômica, escalada da violência e debilitação do poder público, onde partidos de esquerda e de direita, além de milícias e organizações fascistas, disputavam os corações e mentes do povo alemão.

[9] “Manifestantes pedem intervenção militar na Marginal Pinheiros”. Veja São Paulo, 13 de março de 2017. http://vejasp.abril.com.br/cidades/manifestantes-intervencao-militar-marginal-pinheiros/

[10] “Manifestação na Av. Boa Viagem reúne grupo pedindo intervenção militar”. Portal FolhaPE, 04/06/17. http://www.folhape.com.br/politica/politica/noticias/2017/06/04/BLG,3186,7,479,POLITICA,2419-MANIFESTACAO-AVENIDA-BOA-VIAGEM-REUNE-GRUPO-PEDINDO-INTERVENCAO-MILITAR.aspx

[11] “Manifestação em Goiânia pede intervenção militar”. Portal O Popular, 26 de março de 2017. http://www.opopular.com.br/editorias/cidade/manifesta%C3%A7%C3%A3o-em-goi%C3%A2nia-pede-interven%C3%A7%C3%A3o-militar-1.124734

quarta-feira, 12 de julho de 2017

No Tucanobanaquistão vale a lei do Torquemada – Parte I


“Quando os nazistas levaram os comunistas, calei-me porque não era comunista.
Quando prenderam os sociais-democratas, calei-me porque não era social-democrata. Quando levaram os sindicalistas não protestei porque não era sindicalista. Quando levaram os católicos e judeus não protestei porque não era católico nem judeu. Quando me levaram, não havia mais quem protestasse”.

Poema “E não sobrou ninguém” - Martin Niemöller, teólogo luterano alemão.









Este artigo queria contar a incrível história de um magistrado que ordenou a prisão de um jornalista para força-lo a revelar suas fontes. Queria?! É que tenho lá meus receios de ser, também, conduzido a um lugar que nunca quis ir. Em um mundo em que ditaduras foram e são comuns por quê a condução coercitiva de um jornalista mereceria atenção? Por que o fato ocorreu numa (frágil) democracia não numa ditadura. O caro leitor me desculpe, mas aqui não falarei do Brasil e sim da República do Tucanobanaquistão, remotamente localizada num subcontinente qualquer de um mundo que cada vez mais questiona se a democracia deve mesmo ser seu sistema hegemônico.

Que pessoas sejam presas, à revelia de seus direitos, em Estados autoritários como a Alemanha nazista ou a União Soviética stalinista é algo ululantemente óbvio. Mas, quando isso acontece no sistema tucanobanaquistes, que emula procedimentos democráticos, aí temos algo para analisar. Mas, e por isso mesmo, não falarei da repressão político-policial, disfarçada de condução coercitiva legal, a que foi submetido (em 21/03/2017) o jornalista brasileiro Eduardo Guimarães [1] a partir da vontade unilateral de um juiz (de primeira instância) que age como se fosse o único poder em exercício no país.

Arrimado em promotores adestrados e na Polícia (política?) Federal, em seguidores mentecaptos e celebridades descerebradas, em setores raivosamente reacionários da mídia e do evangelismo neopentecostalista, além da classe média [2] saudosa dos tempos da ditadura militar (que vê a corrupção petista como problema único do país) o Juiz Sérgio Moro testa os limites da democracia ao ferir de morte a liberdade de expressão, pilar dos sistemas políticos pós-iluministas. Dito de outra forma, ele quer normatizar atos que são próprios das ditaduras. Moro, um Torquemada [3] dos dias de hoje, ignorou que o sigilo da fonte é garantia constitucional ao prender um jornalista para que este, intimidado, revelasse suas fontes. Entendo os motivos que levam um ditador a querer saber as fontes de um jornalista, mas porque um juiz de um sistema democrático também quereria?

O fato é que o Juiz Moro mandou prender o jornalista Guimarães para que este revelasse que fontes teriam lhe informado sobre a ação que o Ministério Público Federal e a Policia Federal desfechariam contra o ex-presidente Lula. Abusando de sua autoridade, Moro ordenou que documentos e equipamentos de trabalho (celulares, notebook e pendrives) do jornalista fossem apreendidos. Como nada é tão ruim que não posso piorar, a assessoria de imprensa do Juiz Moro disse que Guimarães não pode ter o direito (de resguardar fontes) garantido por simplesmente (SIC) “... não ser um jornalista”. Ou seja, o inquisidor-mor da justiça do Tucanobanaquistão decide até mesmo a profissão daqueles que pretende atingir com seu senso de justiça distorcido da realidade.

E já é tempo de lembrar que a “pena” aplicada ao jornalista foi a mesma imposta a Lula, em março de 2016, quando foi levado coercitivamente para o Aeroporto de Congonhas em São Paulo para confessar crimes que teria cometido. A condução coercitiva é um modo de lidar com adversários do regime implantado com o golpe jurídico-legislativo-midiático que sacou a presidente Dilma Rousseff de seu cargo.

Não por acaso, o Ministro do STF Marco Aurélio Mello assim se referiu a este procedimento numa reportagem de “O Globo” em 04/03/2016: “Condução coercitiva? O que é isso? Eu não compreendi. Só se conduz coercitivamente, ou, como se dizia antigamente, debaixo de vara, o cidadão que resiste e não comparece para depor. Eu só concebo condução coercitiva se houver recusa do intimado para comparecer”. Corroborando com essa ideia Fernando Hideo, advogado de Eduardo Guimarães, afirmou (na citada matéria do Jornal El País) que “arbitrariedades estão claras, pois houve a condução sem intimação prévia e a violação do sigilo da fonte”.

Lula não foi sequer intimado até aquele dia. Guimarães não opôs reação que justificasse sua prisão. A condução coercitiva está prevista no Código de Processo Penal apenas para os que não atendem convocação para depor e não justificam a ausência. Ao que parece o Torquemada ordena que se conduza, debaixo de vara, os que lhe causam algum constrangimento. Interessa ver que muitos dos listados na Operação Lava Jato seguem livres, leves e soltos em que pese listas que pululam por aí, como a do Ministro Edson Fachin do Supremo Tribunal Federal.


Impera no Tucanobanaquistão a máxima brasileiríssima de que “para os amigos tudo, para os inimigos os rigores da lei”. É esta instituição informal, incrustada em nossa cultura politica, que faz a justiça brasileira agir de forma seletiva. Para os adversários do regime aplica-se a lei com sua rigorosidade em ebulição. Já para os amigos, aliados e cúmplices de setores da justiça e de um governo ilegítimo, posto que usurpou o poder, se oferece o benefício da dúvida, se permite que os acusadores abram mão do ônus da prova, se provém todos os prazos possíveis e imaginários e, fundamentalmente, se garante o tal foro privilegiado, prova cabal de que nossa desigualdade é não apenas social-econômica como também político-jurídica.

Um exemplo, apenas, disso é que o Ministério Público Federal cita, em suas alegações finais em um dos processos em que o ex-presidente Lula é réu, o depoimento do empreiteiro da OAS Léo Pinheiro nada mais nada menos do que sessenta (60) vezes para assim tentar dar credibilidade a argumentação a favor da condenação de Lula. [4] Num esforço hercúleo, o MPF e o Juiz Moro agem apressadamente a tempo legal de condenar Lula para que ele fique impedido de ser candidato a presidente nas eleições de 2018.

Continua...

[1] Eduardo Guimarães é editor do “Blog da Cidadania”. Este fato teve ampla repercussão na imprensa nacional e internacional. Em 22 de março de 2017 o jornal El País tratou da questão na reportagem “Caso de blogueiro reacende debate sobre métodos da Lava Jato”. A matéria mostra que direitos constitucionais foram violados e fala dos contumazes casos de vazamentos à imprensa de material sobre a Operação Lava Jato.

[2] A classe média que aqui me refiro é a chamada “pequena burguesia” que Karl Marx apelidava de a “classe perigosa”. É a que sonha em fazer parte da burguesia, mas tem que lidar com a possibilidade real de ser “rebaixada” para a classe dos trabalhadores. Como mostra Marilena Chaui: “Numa palavra, encontra-se fora do núcleo central do capitalismo: não (é) detentora do capital nem dos meios sociais de produção e não (é) a força de trabalho que produz capital”. Chaui, Marilena “A nova classe trabalhadora brasileira e a ascensão do conservadorismo”. In: Jinkings, Ivana. “Por que gritamos golpe? Para entender o impeachment e a crise política no Brasil”. SP: Boitempo, 2016. (pag. 16).

[3] O frade dominicano espanhol Tomás de Torquemada foi inquisidor Geral da Santa Inquisição, no século XV, nomeado pelo Papa Inocêncio VIII. Caçava impiedosamente judeus, mouros, hereges, bruxas, homossexuais, bígamos, etc. Prendia pessoas baseado em falsas denúncias e/ou provas de frágil sustentação e tinha especial predileção em presenciar interrogatórios, a base de torturas e açoitamentos, enquanto sussurrava suas preces.


[4] “Procuradoria cita relato de Léo Pinheiro 60 vezes para pedir condenação de Lula”. Folha de São Paulo, 28 de junho de 2017.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

A “camarotização” do São João


Há alguns dias postei a coluna Devolvam meu São João onde externava minha tristeza ao constatar que o São João de Campina Grande, que já foi o melhor do mundo, não existe mais. Afirmei que o Parque não mais pertence ao povo e critiquei a administração municipal por ter permitido “que uma empresa montasse uma casa de shows fechada no lugar do arraial que tínhamos”. Falei, indignado, que o São João é nosso patrimônio imaterial e “que ninguém pode adulterá-lo dessa forma arrogante visando atender interesses particulares”.

Como no Brasil nada é tão ruim que não possa piorar, o prefeito Romero Rodrigues anunciou que vai “buscar solução para o São João de 2018”. Mas, qual seria o problema que estaria enfrentando o São João? Segundo o prefeito, o “Parque do Povo não comporta mais o evento”. Mas, o Parque do Povo não vem comportando o São João a 34 anos? Porque de um ano para o outro deixou de comportar? O que ocorreu em 2017 que não mais permitiria que nossa festa maior coubesse em seu palco tradicional? Segundo o prefeito, o “Parque do Povo se tornou pequeno, congestionou as ruas. Se a gente conseguisse uma área central maior que o Parque, seria ideal, porque a festa tem que crescer ainda mais”.

O prefeito não disse a quem interessam as soluções. Se a prefeitura, sua administração e seu partido, se ao povo, se aos comerciantes e empresários da cidade ou se a empresa que gerenciou a festa através de uma parceria público-privada, eufemismo para o termo privatização. O modelo de evento promovido pela tal empresa, que “comprou” nossa tradição e direitos culturais, não cabe no Parque do Povo porque ali ela não terá o lucro exorbitante que almeja. Simples assim!

Existe uma questão legal que é o fato do Parque do Povo ser um BEM PÚBLICO e não poder ser temporária ou definitivamente privatizado. Infelizmente, muitos campinenses ainda não se deram conta disso! A prefeitura parece querer se antecipar às questões jurídicas, que por certo enfrentará, caso leve a frente essa sandice de privatizar totalmente o São João. É por isso que busca “soluções” para os supostos problemas aventados. Além disso, que destino se dará ao Parque do Povo no caso do São João ser levado para outra área da cidade? Fosse eu do ramo da especulação imobiliária responderia essa pergunta? Claro, que não!

O prefeito falou em congestionamento das ruas, citando que ele mesmo demorou mais de uma hora para chegar ao Parque do Povo, e que portões (da casa de shows erguida no lugar do “Forródromo”) tiveram que ser fechados. Ora, congestionamentos temos todos os dias – é uma realidade nossa. Os portões foram fechados porque houve uma limitação da livre circulação da população no Parque do Povo, já que o espaço público foi delimitado para o uso de camarotes, cercas e o equipamento, utilizado por patrocinadores, estranho a festa popular.

Temos que fazer mudanças em nosso São João. Por isso me juntei ao movimento “#Devolvam meu São João”, pois o que temos no Parque do Povo não é mais uma festa junina. Assim, transcrevo abaixo o texto do arquiteto e urbanista campinense Marcus Vinícius Dantas que sempre nos traz bons argumentos para nossas polêmicas municipais, a exemplo de quando a Prefeitura ergueu o monstrengo dos “150 anos de Campina Grande”. A propósito, Marcus Vinícius lançou o livro “Quem te vê não te conhece mais – Arquitetura e transformação na cidade de Campina Grande, 1930-1950” pela Editora da Universidade Federal de Campina Grande. A obra trata das mudanças sofridas pela cidade e como “investidas do poder público e da iniciativa privada romperam com formas anteriores de produção e uso da cidade instaurando novas estéticas...”.


"Tudo tão previsível! Faz anos que estão criando dificuldades para vender facilidades. E é óbvio que já têm a solução. Só precisam melhorar os argumentos para a remoção. Esse do congestionamento, usado para tudo, não se sustenta. Perguntas:
1) Será que o São João de Campina Grande precisa “crescer ainda mais”?

2) Caso sim, esse crescimento precisa ocorrer em que aspectos? Incentivo a quadrilhas, trios de forró, artistas da região, culinária, artesanato, arraiais de bairro e demais manifestações culturais locais? Ou incentivos a mega shows, CAMAROTIZAÇÃO do espaço público e atrações vinculadas às grandes empresas do show business nacional? Não foi exatamente a adesão a essa segunda opção que gerou o dito “estrangulamento” do parque? Porque, para isso, só o infinito resolve a “falta” de espaço.

3) Qual a dimensão pública que a prefeitura imagina para a festa, como manifestação cultural que se tornou um dos traços da identidade local?

4) Vale a pena abrir mão de um lugar que, por anos, recebeu investimentos públicos justamente para a realização desse evento? Com a privatização da festa ocorrida este ano, quem faria os investimentos para a construção de um novo espaço? E o que fariam do Parque do Povo caso deixe de receber o São João? Quais outros interesses existem para aquela região da cidade?

5) Campina Grande não teria outras prioridades para receber a atenção e os recursos públicos?

6) Vale a pena abrir mão da história e das memórias construídas ao longo do tempo no Parque do Povo? O Parque do Povo não é um dos elementos constituintes da identidade do Maior São João do Mundo? Talvez, esteja errado. E o tempo pode me mostrar o contrário. Mas, a partir de hoje, acho que tirar o São João do Parque do Povo é um tiro no pé. Senhor Prefeito, não é só uma questão de “congestionamentos” e quantidade$. Muitas outras questões estão vinculadas”.


quinta-feira, 29 de junho de 2017

Tem que lutar!



Tem que lutar!Tem que ir para rua, protestar!Se tomarmos as ruas e pararmos o país eles recuam, pois se tem uma coisa que a elite se borra de medo é do povão na rua!







terça-feira, 27 de junho de 2017

Indignação seletiva dos eleitores de Aécio Neves e do antipetismo em geral por Barbara Gancia


A jornalista Barbara Gancia, aquela mesma que dava sempre uma boa opinião no programa “Saia Justa” do canal GNT, relacionou 13 pontos para ajudar a esclarecer, com boas doses de humor, o comportamento político (isso mesmo, político) do que ela definiu como a “indignação seletiva dos eleitores de Aécio Neves e do antipetismo em geral”.


Gancia expõem a postura dos setores mais conservadores, reacionários e autoritários da sociedade que apoiaram o impeachment de Dilma Rousseff, se valendo da surrada argumentação de estarem lutando contra a corrupção. Coloco os 13 pontos de Barbara Gancia porque me interessa entender mais e melhor sobre essa quase metade do eleitorado brasileiro que quase levou um homem, com um extenso currículo criminoso, à presidência da República.


Mas, não pretendo culpar ninguém, pois já não basta a vergonha de saber quem de fato é e o que fez e faz Aécio Neves? Analisando bem, não é fácil ser coxinha de direita (desculpem-me a redundância) neste Brasil submergido no caos e na lama. Não bastasse ter descoberto que votaram num larápio contumaz do dinheiro público, coxinhas de todas as cores tiveram que aceitar que, por exemplo, Lula e seu filho não são donos da JBS e que o verdadeiro chefe daquela quadrilha que atua em nível federal é Michel Temer e não Lula. Mas, nada se compara ao fato de ter que lidar com a mãe de todas as verdades que é o fato de que o coxinha é um ser despolitizado e facilmente manipulável em prol de interesses espúrios.


Os eleitores de Aécio se comportam mais ou menos assim por Barbara Gancia.

1) -"Não sou nem de esquerda, nem de direita, sou pelo Brasil!" - (é de direita).

2) -"Não tenho partido, meu partido é o Brasil!" - (vota no PSDB).

3) -"Quero que a corrupção seja combatida no PT, PSDB ou PQP!" - (quer que a corrupção seja combatida apenas no PT. No perfil pessoal, só tem publicações contra o PT. Contra o PSDB ou PQP, nada).

4) -"Não sou coxinha nem petralha, sou brasileiro!" - (é coxinha).

5) -"Quero meu país livre da corrupção!" - (vota em Alckmin há 15 anos).

6) -"PT gosta de sustentar vagabundo!" - (perdeu a escrava doméstica e tá tendo que lavar os pratos).

7) -"PT dá casa pra vagabundo!" - (é proprietário de várias casas para alugar e estão encalhadas).

8) -"Estou indignado com tanta corrupção!" - (segurou o cartaz 'Somos milhões de Cunhas').

9) -"Nenhum político presta!" - (é analfabeto político).

10) -"Tempos bons eram os de FHC!" - (é patrão e não paga direitos trabalhistas nem tira nota fiscal ).

11) -"Não sou de direita, mas tem que tirar essa vagabunda do poder!" - (votou em Aécio e está com o avatar de Bolsonaro na foto do perfil).

12) -"O PT não ensina a pescar e ainda rouba os rios e o anzol!" - (é fã de Lobão, 
assina a Veja, assiste e ri com Danilo Gentili, e publica 'pensamentos' de Arnaldo Jabor).


13) -"Não bato panelas contra partido A ou B, mas contra a corrupção!" - (tem que bater uma panela de pressão na própria cabeça).

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Devolvam o meu São João


Em “Homenagem ao Malandro” Chico Buarque diz: “Eu fui fazer um samba em homenagem/ À nata da malandragem/ Que conheço de outros carnavais/ Eu fui à Lapa e perdi a viagem/ Que aquela tal malandragem/ Não existe mais”. Chico fala de como o capitalismo mudou o Rio de Janeiro.

Fui ao Parque do Povo, que conheço de outros São Joões, e perdi a viagem, pois aquele tal forró não existe mais. Eu fui ao Parque do Povo e sai de lá triste, pois não temos mais o “São João” e nem o “Forródromo”! O parque não mais pertence ao povo. A Prefeitura Municipal de Campina Grande vendeu, alugou, terceirizou ou seja lá qual foi a transação que permitiu que uma empresa montasse uma casa de shows fechada no lugar do arraial que tínhamos. Isso é muito grave! O São João é patrimônio imaterial do povo brasileiro. Ninguém pode adulterá-lo dessa forma arrogante visando unicamente atender interesses particulares.

Um amigo me enviou este cartaz com os eventos juninos da antiga casa de shows “Forrock” que havia em Campina Grande. No “Forrock” assisti shows memoráveis de Elba Ramalha, Zé Ramalho, Paralamas do Sucesso, Paulinho da Viola, Caetano Veloso, Fagner, Gal Costa. Teve um show inesquecível de Ray Conniff e The Platters e teve dois shows de Chico Buarque – um deles foi em 1989 quando votamos para presidente pela primeira vez depois da Ditadura Militar.

Quando vejo este cartaz com shows que já tivemos o que é tristeza se torna raiva, indignação. Revolto-me em saber que já tivemos Alceu Valença, Genival Lacerda, Assisão, Sivuca, Alcimar Monteiro, Flavio José, Luiz Gonzaga e Gonzaguinha, Nando Cordel, Zé Calixto, Abdias e que hoje nos resta o lixo expelido pelo mercado da música. Sempre se poderá dizer que muitos desses já morreram. Mas, aqui falo bem mais da tradição e da cultura do que de nomes específicos.

Alcymar Monteiro, um herói da resistência forrozeira, disse que a música da sertaneja Marília Mendonça é “breganejo e porcaria”. É que Elba Ramalho, Chambinho do Acordeon e Joquinha Gonzaga lançaram a campanha “Devolva meu São João” criticando as festas juninas terem muito mais música sertaneja do que forró pé-de-serra. Marília Mendonça provocou a campanha num show em Caruaru dizendo que “vai ter sertanejo porque o povo quer”.

Alcymar lembrou que nordestinos sentem uma dor imensa pelos crimes que fazem com nossa cultura, como uma pornográfica versão de Asa Branca feita por um funkeiro. Se nossos forrozeiros não são chamados para cantar na “Festa do Peão de Barretos” porque deveríamos trazer a tal da “sofrência” para cá? Mas, o alvo das criticas não deve ser apenas os cantores sertanejos, mas sim quem os contrata. As prefeituras de tantas cidades nordestinas abusam do expediente de contratar atrações “da moda” sob a fajuta tese de que o “povo gosta”. E aqui entramos na seara da relação promiscua entre prefeituras e as tais “bandas de forró”.

Eu vivi a época do “Forrock” e ela foi muito boa! Bem vivi o tempo em que o “Forródromo” era um grande arraial. Íamos para o Parque do Povo, que era de fato do povo não de uma empresa que determina até o que se bebe e se come, para dançar forró, para nos divertirmos, para “brincar o São João” como diziam os mais velhos.


Tinha festa junina em vários locais da cidade, não havia essa centralização autoritária em torno de um evento fechado. Não tinha essa fuleiragem de “palco 360°” que não gira ou de cerca em volta do “Forródromo” como se fôssemos gado num curral. Nessa época padre não era celebridade e não fazia shows midiáticos disfarçados de romaria. Não havia inúmeras duplas sertanejas poluindo o ar com suas vozes insuportavelmente estridentes. Também não tinha funkeiros, cantores safados e safadões falando putaria a noite inteira.


Enfim, eu sou do tempo que tinha São João. Eu sou do tempo que nossa cultura e tradições eram respeitadas pelo poder público e que os prefeitos de Campina Grande não ousavam passar por cima da "autoridade" de Santo Antônio, São João e São Pedro. Por isso é que grito a plenos pulmões: “DEVOLVAM MEU SÃO JOÃO!”.



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Este foi um dos últimos artigos que publiquei: “SOMOS TODOS UM BANDO DE ARAMIS". Neste artigo analiso porque somos avessos à consolidação de nossa democracia. Discuto a contradição de praticarmos procedimentos democráticos enquanto cevamos um ancestral saudosismo de nosso passado ditatorial. Sugiro refletirmos sobre o paradoxo de parte da sociedade usar a liberdade de expressão para pedir um regime que pode acabar com ela. http://www.paraibaonline.com.br/colunista/santos/9920-somos-todos-um-bando-de-aramis---parte-i.html

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